As Opções De Curto Prazo Para Contratos De "Safra Nova"

O QUE É UMA OPÇÃO?

Seguro. Palavra que muito se ouve, mas que pouco se conhece o verdadeiro significado. A definição formal da palavra “seguro”, no contexto financeiro como em “apólice ou contrato de seguro” diz: “Contrato aleatório em que, mediante uma taxa ou custo (prêmio de seguro), uma das partes se obriga a indenizar a outra por prejuízo eventual dentro de um espaço determinado de tempo.”

Algumas palavras que definem o significado de “seguro” não necessariamente inspiram uma sensação tão “segura”, certo? Pensemos bem... a própria definição formal da palavra “seguro” contém adjetivos como “aleatório” e “eventual”. No entanto, quando visto em um conjunto, no contexto correto, percebe-se o significado real da palavra é de fato o de “proteger algo ou alguém de um possível prejuízo financeiro”. E é dentro deste contexto que a palavra “hedge” ou “proteção” é utilizada nos mercados financeiros. Dentro da atividade financeira, o tão famoso “hedge” é o processo de estruturação de certos “contratos de seguro” visando a proteção financeira de um ativo, atividade ou operação.

A operação de “hedge” não é exclusiva ao mercado financeiro, ela faz parte do dia-a-dia de todos nós como as tantas apólices de seguro (carro, casa, viagem, saúde, rural, vida...) que nos cercam. Estas apólices são contratos onde o “assegurado” paga um certo valor monetário (prêmio) ao “assegurador” para proteger o valor monetário de algo dentro de um determinado tempo. Contratos de seguro fazem parte do cotidiano da grande maioria da população... Quando compramos um carro, pagamos o prêmio do seguro para proteger tal investimento contra perdas.

Mercados financeiros ao redor do mundo também oferecem estas “apólices de seguro” à seus participantes. Elas se chamam, OPÇÕES. Por exemplo, através de opções de compra (CALL) e opções de venda (PUT), participantes do mercado agrícola global gerenciam os riscos financeiros inerentes da atividade de alto risco financeiro que é a cadeia agrícola. Com forte volatilidade derivada não somente da constante variação entre dados de oferta e demanda, mas também do envolvimento de grandes investidores e outros fatores macroeconômicos, a utilização do mercado de opções como uma ferramenta de proteção é visto hoje em dia como uma necessidade por um número cada vez maior de empresas ligadas ao setor.

CRESCIMENTO NA UTILIZAÇÃO DE OPÇÕES E A BUSCA POR APERFEIÇOAMENTOS

Entre 2009 e 2016 utilização de opções no CME Group (grupo do qual faz parte o antigo CBOT- Bolsa de Chicago), cresceu de uma média diária de “apenas” 700.000 contratos, para mais de 4 milhões de contratos! Adicionalmente, a execução eletrônica destes contratos que era em torno de 12% do volume total em 2009, hoje representa quase 60% do volume total operado em opções.

Este crescimento “meteórico” do uso de opções, também demanda um aperfeiçoamento destes “contratos de seguro”. Tomemos como exemplo o “prêmio” (preço) destes contratos. A “proteção” financeira oferecida por qualquer “contrato de seguro” tem custo atrelado que varia de acordo com múltiplos fatores. A fórmula que determina preços destes contratos de opções no mercado de futuros é um tanto complexa, mas por agora, foquemos em três principais fatores: o tempo de vigência contrato, também conhecido como “time value” (quando vence o contrato), a volatilidade dos preços do contrato base e o valor de execução do contrato, conhecido como “strike price”.

De uma forma generalizada é importante lembrar que o quanto mais tempo existe até a execução do contrato, mais “caro” é o preço pago pela opção. No caso do mercado de commodities agrícolas isto pode muitas vezes gerar situações onde o comprador de uma opção (produtor agrícola, por exemplo), acaba pagando “mais do que deveria” por um contrato de relativo longo prazo para cobrir riscos de curto e médio prazo. Esta “limitação” fez com o CME GROUP buscasse um aperfeiçoamento. Foi esta busca que originou um dos produtos que mais crescem em utilização na Bolsa de Chicago.

AS OPÇÕES DE CURTO PRAZO PARA CONTRATOS DE “SAFRA NOVA”.

Já em uso nos EUA desde 2012, as Opções de Curto Prazo de Safra Nova vem sendo um sucesso, trazendo muito mais flexibilidade e eficiência na utilização de opções. Isto porque estes contratos possibilitam ao comprador pagar um preço menor e mais eficiente para proteger riscos de curto à médio prazos (clima, relatórios de oferta e demanda). Desde sua introdução, já foram negociados quase 6 milhões de contratos, com o pico de utilização destes contratos entre os meses de Maio e Agosto, durante pleno “mercado climático” norte-americano.

Gráfico 1

Desta forma, participantes podem tirar proveito de preços de opções até 30-50% menores, escolhendo “proteger” suas margens referentes à preços dos contratos de Novembro e Dezembro (para Soja e Milho respectivamente, referentes aos contratos da “safra nova” nos EUA), apenas durante os meses mais voláteis da safra. Exemplo prático: antes da introdução destes novos contratos, um produtor buscando proteção em Junho sobre uma possível forte desvalorização no contrato de SOJA NOVEMBRO, via-se “obrigado” à comprar uma opção de venda (PUT) com vencimento em Outubro (primeiro contrato de opção que tinha como base o contrato de Novembro de Soja). Dentro deste cenário, o produtor acabava pagando “mais do que o necessário”, pois pagava o preço de um contrato para 5 meses, quando buscava a proteção para apenas 3 meses. Com a criação das novas Opções de Curto Prazo para Safra Nova, este mesmo produtor acaba fazendo uma operação de hedge bem mais “eficiente”. Ele apenas paga o prêmio para a cobertura que precisa, não mais, não menos... (Este ano por exemplo, uma PUT “At the Money” de $10 dólares/bushel sobre o contrato de Novembro de Soja no CME, com vencimento para Outubro, custava 30 centavos em meados de junho. Já uma PUT (opção de venda), com as mesma características, mas com vencimento em Agosto, custava em torno de 20 centavos, ou 33% menos). Um excelente negócio!

ATENDENDO ÀS NECESSIDADES DO PARTICIPANTE SUL-AMERICANO

Reconhecendo que hoje a América do Sul é um player cada vez mais influente no mercado global de commodities agrícolas, e também o fato de que o ciclo produtivo oposto ao do hemisfério norte resulta no contrato de Maio (não de Novembro) como o principal contrato de “safra nova” para o continente, o CME GROUP introduziu no final de 2015 as Opções de Curto Prazo para Safra Nova de Soja da América do Sul.

Gráfico 2

A principal vantagem destes novos contratos, assim como no caso das opções de curto prazo introduzidas no mercado norte-americano, é a redução do custo para o cliente. A criação de opções de vencimento no curto-médio prazo, com contratos de longo prazo como referência, permite uma maior eficiência na utilização do “prêmio tempo” (lembrando que o tempo até o vencimento de uma opção é um dos fatores, junto à volatilidade, que mais “encarece” tais contratos). Compare os valores economizados no gráfico abaixo:

Gráfico 3

Gráfico 4

Gráfico 5

Aí vem a pergunta: “Mas fora o fator custo, porque utilizar uma opção com vencimento em Novembro ou Janeiro para proteger riscos/buscar oportunidades referentes ao contrato de Maio do ano que vem?”

Excelente pergunta! Seguem abaixo alguns dos motivos:

  • PROTEÇÃO CONTRA ALGUM EVENTO DE FORTE VOLATILIDADE NO CURTO PRAZO
    • Digamos que um produtor queira proteger-se de uma maior baixa nos contratos de Maio 2017 de SOJA através de opções sobre futuros de soja. Ele pode comprar uma opção de venda para Maio de 2017 e pagar em torno de 55 centavos por contrato;
    • Porém, ele pode economizar entre 10% - 35% neste custo caso decida utilizar as novas Opções de Curto Prazo para Safra Nova com vencimento para Janeiro ou Março, que têm como base o contrato de Maio 2017, mas com duração, e consequentemente, custo menor (tabela acima).
    • Porque ele faria esta proteção com um contrato de duração menor? Primeiramente pelo custo menor. Segundo, por compreender que baixas mais fortes no mercado internacional de soja geralmente ocorrem durante o período de “precificação de safra”, tanto no hemisfério norte, quanto no sul. Mais especificamente ao contrato de Maio, a maior pressão nos preços pode ocorrer até o período de Março, quando a colheita na América do Sul já está bem avançada. Após este período, já começa a especulação quanto ao clima para o início de uma nova safra no hemisfério norte.
  • COMPATIBILIDADE COM A POLÍTICA DE HEDGE DA EMPRESA
    • Várias empresas requerem o “casamento” de estruturas de hedge com contratos de vencimento durante o período de colheita, compra ou venda das commodities físicas em si.
  • COMPORTAMENTO DIFERENTE DE PREÇOS DE CONTRATOS DE ACORDO COM VENCIMENTO
    • Muitas vezes contratos com vencimento mais longo obedecem à certos fundamentos diferentes, principalmente quando se compara contratos de “safra velha” e “safra nova”.
    • A volatilidade de contratos de vencimento mais longo pode muitas vezes também ser menor do que a de contratos referência mais curtos, o que se torna outro fator que pode potencialmente contribuir para a redução de custo das opções.

Agora que você conhece esta nova opção oferecida pelo CME Group e os motivos pelos quais ela pode de fato ser uma ferramenta mais eficiente e apropriada em algumas situações, vamos observar abaixo alguns exemplos de estratégias envolvendo tais mecanismos.

OBJETIVO: Proteger potencial de BAIXA nos preços dos contratos da Safra Nova de SOJA Sul Americana (contrato de Maio), até JANEIRO de 2017

PREÇO ATUAL: $9,80

NÍVEL DE PROTEÇÃO DE BAIXA: $9,80

ESTRATÉGIA: Comprar uma Opção de Venda (PUT) do contrato de Maio, com vencimento em JANEIRO de 2017

CUSTO: 35 centavos por contrato (.35 x 5000 = USD 1.750,00 por contrato)

ECONOMIA FRENTE À OPÇÕES PADRÕES PARA MAIO: 36% (USD 2.800,00 por contrato nas opções padrão para Maio)

Nesta simples estratégia, o produtor pode se proteger de uma baixa maior nos preços em Chicago até o início da entrada da nova safra no Brasil, em janeiro. Esta estratégia permite que ele “navegue” o mercado físico local com maior proteção até janeiro, (quando há grande procura pela entrega de soja local) mas esteja pelo menor parcialmente protegido frente à possibilidade de realização de uma safra EUA ainda maior que o atualmente esperado pelo mercado.

OBJETIVO: Proteger potencial de BAIXA nos preços dos contratos da Safra Nova de SOJA Sul Americana (contrato de Maio), até MARÇO de 2017

PREÇO ATUAL: $9,80

NÍVEL DE PROTEÇÃO DE BAIXA: $9,80

ESTRATÉGIA: Comprar uma Opção de Venda (PUT) do contrato de Maio, com vencimento em MARÇO de 2017

CUSTO: 48 centavos por contrato (.48 x 5000 = USD 2.400,00 por contrato)

ECONOMIA FRENTE À OPÇÕES PADRÕES PARA MAIO: 14% (USD 2.800,00 por contrato nas opções padrão para Maio)

Nesta simples estratégia, o produtor pode se proteger de uma baixa maior nos preços em Chicago até a metade da entrada da nova safra no Brasil e também durante anúncio de possível expansão no aumento de área de plantio de SOJA nos EUA para safra 17/18. Estes dois fatores (caso clima seja favorável na América do Sul) podem pesar nos preços até Março. No entanto, à partir de Abril, a possibilidade de maiores baixas é reduzida, com o início de especulação climática para nova safra EUA.

STRATÉGIAS PARA PRODUTORES

ESTRATÉGIA PARA INDÚSTRIA

OBJETIVO: Proteger potencial de ALTA nos preços dos contratos da Safra Nova de SOJA Sul Americana (contrato de Maio), até JANEIRO de 2017 (devido à possíveis problemas climáticos e/ou demanda acima do esperado)

PREÇO ATUAL: $9,80

NÍVEL DE PROTEÇÃO DE ALTA: $9,80

ESTRATÉGIA: Comprar uma Opção de Compra (CALL) do contrato de Maio, com vencimento em Janeiro de 2017

CUSTO: 30 centavos por contrato (.30 x 5000 = USD 1.500,00 por contrato)

ECONOMIA FRENTE À OPÇÕES PADRÕES PARA MAIO: 40% (USD 3.000,00 por contrato nas opções padrão para Maio)

Nesta simples estratégia, o comprador de SOJA física protege pelo menos parcialmente a sua margem de compra frente à volatilidade climática podendo trazer possíveis danos à safra sul-americana. A proteção é feita até Janeiro de 2017 (período crucial para a safra Brasil 16/17) com base no contrato de Maio de 2017 que pode ter menor volatilidade do que o contrato de Março, reduzindo ainda mais o custo da operação.

ESTRATÉGIA PARA INVESTIDORES

OBJETIVO: Procurar lucrar com um possível aumento na volatilidade de preços de SOJA referentes à safra nova Sul Americana na bolsa em Chicago. A volatilidade atual está relativamente baixa, e ao invés de “apostar” em uma direção só, o investidor aposta em um movimento de preço acima do custo pago pela estratégia, tanto para cima quanto para baixo.

PREÇO ATUAL: $9,80

NÍVEL DO STRADDLE: $9,80

ESTRATÉGIA: Comprar um STRADDLE do contrato de Maio (simultânea compra de uma PUT e uma CALL no mesmo nível e com o mesmo vencimento), com vencimento em JANEIRO de 2017

CUSTO: 65 centavos por contrato (.65 x 5000 = USD 3.250,00 por straddle)

ECONOMIA FRENTE À OPÇÕES PADRÕES PARA MAIO: 38% (USD 5.250,00 por straddle nas opções padrão para Maio)

Neste caso, o investidor teria lucro com um movimento (de alta ou baixa) acima de 65 centavos (ao invés de $1,05 dos contratos padrão) nos contratos de SOJA MAIO 2017 e com um possível aumento na volatilidade devido à múltiplos fatores (macroeconomia e/ou clima e/ou demanda) até Jan 2017.