Russell 2000: Pequenas Empresas como Motores para o Crescimento do Emprego

  • 23 Aug 2017
  • By Bluford Putnam

Esta é a temporada de giro de ações.  Setores do mercado de ações tendem a ser mais aceitos ou não com regularidade, mudando os padrões de preços com maior frequência do que índices bem diversificados.  Os índices também têm giro, especialmente quando existem diferenças significativas em sua composição correspondente de empresas.  E, dependendo de qual cenário será favorável às economias dos EUA e global – expansão ou contração do crescimento -- sinais mostram que o segundo semestre de 2017 deverá ter turbulência sobre a performance dos índices mais importantes comparados uns com os outros – extraindo da tendência geral das ações dos EUA.  Para ilustrar as diferenças, podemos comparar e contrastar três índices-chave para as ações dos EUA – o Russell 2000, S&P500® e o Nasdaq 100.

A primeira diferença-chave entre eles é o tamanho da empresa.  O S&P500® e o Nasdaq 100 são compostos por empresas de capital aberto com grande valor de mercado, enquanto o Russell 2000 é projetado para seguir pequenas empresas capitalizadas.  As maiores empresas no Nasdaq 100 e S&P500® são mega-ações com nomes conhecidos, a exemplo de Apple, Microsoft, Amazon, Facebook e Alphabet, a holding do Google, com valor de mercado de centenas de bilhões de dólares.  Claro, o Russell 2000 tem uma história muito diferente, com a maior empresa no índice avaliada em pouco mais US$ 5 bilhões e empresas, em média, com valor perto de US$ 1 bilhão.  Pelo fato de não serem nomes familiares, as três maiores empresas do Russell 2000 – Kite Pharma, Gramercy Property REIT Trust e a MKS Instruments– realmente oferecem um sabor de negócios diferente representados no topo do Russell 2000, um índice de pequenas empresas.

O papel das pequenas contra grandes empresas na economia não é necessariamente intuitivo.  A observação mais importante é que as pequenas empresas, na realidade e ao longo do tempo, são os motores da criação de empregos nos Estados Unidos, não as grandes empresas.  Portanto, o ritmo relativamente robusto do setor privado para a criação de empregos nos Estados Unidos, desde o auge da grande recessão no final de 2009, é um sinal de que as pequenas empresas permanecem altamente confiantes no futuro da economia dos EUA.

As metodologias de construção de índice estão em considerável variância entre si.  As definições e metodologias, usadas para criar diferenças significativas em seus pesos por setor, implicam riscos surpreendentemente diferentes.

O S&P500® é "administrado" com um processo disciplinado para determinar o peso aproximado de cada setor e para selecionar as ações para cada setor de modo amplo e diversificado.  Então, enquanto o S&P500® tem tudo a ver com grandes empresas, não é necessariamente uma representação rigorosa das 500 maiores empresas em valor de mercado, mas uma interpretação mais estilizada da economia dos EUA.    Tecnologia da informação representa 22% do índice, com setores-chave como finanças em 15%, saúde em 15% e consumidor discricionário em 12%.  Energia representa apenas 6%.

O NASDAQ 100 não é um índice "administrado" e não é tão diversificado quanto os outros índices. Por definição, no cálculo, representa as 100 maiores empresas em valor de mercado não-financeiras listadas na bolsa de ações NASDAQ.  Não há nenhuma tentativa do NASDAQ 100 ser amplo como um índice de ações específico.  A tecnologia domina, com participação do setor em pouco mais de 50%, seguido por serviços ao consumidor em cerca de 25% (inclui Amazon), e do setor de saúde com 11%.  Finanças, energia, materiais básicos e utilidades estão totalmente ausentes.  Se você gosta destes últimos setores, procure-os em outro lugar.

Como o S&P500®, o Russell 2000 é mais amplo, refletindo a diversidade natural da economia dos EUA.   O FTSE-Russell, que criou este índice, calcula o valor de mercado das 10.000 ou mais empresas públicas nos Estados Unidos. Das 3.000 maiores empresas por tamanho, as 1.000 maiores estão no Russell 1000 e as 2.000 seguintes estão no Russel 2000.  O Russell 3000 é a soma dos índices de grandes e pequenas empresas.  No índice Russell 2000 de empresas menores, os dois maiores setores são finanças com 18% e tecnologia da informação com 17%, seguidos por saúde (15%), indústria (15%) e consumidor discricionário (12%).   [Note que os pesos dos setores têm base no valor de mercado e são um alvo em movimento porque o valor das ações flutua.  Estes pesos foram aproximações desde julho de 2017].

As implicações de investimento dos diferentes pesos são que, com o Russell 2000, é possível ter uma visão ampla dos motores de crescimento do emprego na economia americana.   Com a NASDAQ-100, a maior ênfase é nas ações com base em alta tecnologia nos Estados Unidos com enormes vendas e operações internacionais.  Isso torna o Russell 2000 uma importante alternativa de diversificação em relação ao NASDAQ 100 de tecnologia pesada.  Se você é um fã de tecnologia, então, o NASDAQ 100 é o seu índice.  Se a força da expansão do trabalho dos EUA é o seu tema, então, o Russell 2000 é o seu índice.

De fato, na primeira metade de 2017, ações de alta tecnologia tiveram desempenho excepcional; o NASDAQ 100 teve melhor performance que o S&P500® e o Russell 2000.  A capacidade das extremamente grandes empresas de tecnologia (além da Amazon, no setor de serviços ao consumidor) de continuar a agir como empresas de grande crescimento está aberta ao debate quando (1) atingem estágios relativamente maduros de sua evolução, (2) cada vez mais competem diretamente umas com as outras (3) encaram uma economia global em expansão relativamente modesta sem um forte motor de crescimento.  E, no verão de 2017, tem ocorrido maior agito nos preços das ações dessas grandes empresas de alta tecnologia, sinalizando um verdadeiro cabo de guerra entre os investidores com visões diferentes na sustentabilidade das taxas de crescimento de ganhos.  Em contrapartida, o Russell 2000, que havia ficado para trás no período de janeiro a maio de 2017, ganhou algum fôlego em junho, antes de ver alguns altos e baixos em julho.

Em uma perspectiva de cenário, uma taxa de crescimento econômico dos EUA sustentada em 2% e um Federal Reserve cauteloso, mesmo elevando as taxas de juros de maneira incremental, ofereceram um bom ambiente para as ações.  O cena global pode estar onde muitos dos desafios de gestão de risco estão surgindo – especialmente na área de pactos de comércio, com a retirada dos EUA do seu papel de liderança.  Com base nos Estados Unidos, grandes empresas multinacionais vão ser confrontadas por decisões críticas, se a Europa e o Japão criam seu próprio negócio de comércio sem os EUA; se os países asiáticos liderarem um acordo de comércio Trans-Pacífico excluindo os EUA e, e se os EUA não conseguirem o novo acordo com o Canadá e o México (ou seja, renegociar o NAFTA).   Enquanto algumas empresas pequenas possuem vendas internacionais materiais, espera-se que os EUA sejam deixados de fora de novos acordos comerciais e grandes empresas sofrerão mais que as menores.

Há também que se considerar a incerteza sobre a política de impostos dos EUA.   Grandes empresas, especialmente algumas mega capitalizadas, mantém caixa considerável, grande parte fora dos Estados Unidos. Acreditavam que, com as eleições de novembro de 2016 nos EUA entregando Casa Branca, Senado e Câmara dos Representantes controlados pelos Republicanos, cortes nos impostos eram altamente prováveis e o impasse político de Washington seria diminuído.  Muitos observadores de Washington, no entanto, agora estão reconsiderando suas previsões.  Um grande corte de impostos parece muito menos provável do que pareceu em janeiro de 2017.  Além disso, as probabilidades de um imposto de fronteira, que poderia atingir varejistas online e de grandes redes, foram eliminadas na maior parte.  O imposto de fronteira, que teve destaque no plano fiscal original circulando na Câmara dos Representantes, agora está quase morto com diferentes facções dentro do Partido Republicano debatendo como elaborar a legislação tributária sobre a qual possam concordar.  Como no caso de incerteza de negociação, o NASDAQ 100 parece ser relativamente mais vulnerável a uma reavaliação das probabilidades de um grande corte de impostos, comparado ao índice Russell 2000.

A flutuação do preço do petróleo também poderia representar diferenças de risco interessantes, uma vez que o NASDAQ 100 não tem ações de energia.  Porém, notamos que tanto o Russel 2000, quanto o S&P500®, têm apenas pequenos pesos no setor de energia.  Normalmente, a baixa dos preços do petróleo apenas impacta o S&P500® se a queda nas ações de energia é grave o suficiente para afetar os lucros das grandes empresas financeiras que emprestam a este sector.  Isso foi verdade quando o preço do petróleo entrou em colapso no final de 2014 e continuou assim até 2015, mas agora, com a negociação do petróleo definida em uma escalada mais ampla, os altos e baixos do preço do petróleo não foram um fator distintivo entre os índices.

Voltando a um outro aspecto de risco relativo, a volatilidade de preço observada entre os três índices já não é tão diferente.  Na década de 1990, quando as ações de tecnologia seguiam por conta própria, o NASDAQ 100 era significativamente mais volátil do que é hoje.  De fato, o Russell 2000 é modestamente mais volátil que o NASDAQ 100 e o S&P500®; no entanto, todos os três índices sofreram volatilidade muito baixa em 2017 quando comparados historicamente

Curiosamente, a sensibilidade das taxas de juros e rendimentos de títulos não é particularmente forte ou diferente entre os três índices, mesmo que o NASDAQ 100 não tenha qualquer ação financeira.   A falta de sensibilidade à taxa de juros é, provavelmente, mais um reflexo da taxa de inflação baixa e de um FED muito cauteloso, e nada a ver com os níveis de dívida ou estrutura de capital das empresas nestes índices.  Notamos que a taxa baixa do Fed e os programas de compra de ativos, agora sendo lentamente revertidos, provavelmente beneficiaram os preços das ações das grandes empresas muito mais do que das pequenas empresas.  Os grandes estavam mais bem posicionados para re-organizar seus balanços, comprar de volta suas próprias ações e elevar os dividendos, os quais ajudam nas avaliações, mesmo fazendo pouco ou nada para a economia.

Ao todo, investidores em busca de diversificação mais ampla em ações podem considerar o aumento de sua exposição em ações de empresas de pequeno porte como as incluídas no Russell 2000, diante das incertezas de negociação e impostos, bem como questões sobre o potencial de crescimento de ganhos das empresas mega capitalizadas incluídas nos índices de empresas de grande porte.  Investidores em busca de oportunidades vão considerar o forte desempenho do NASDAQ 100, impulsionado, em grande parte, por apenas cinco grandes empresas no período entre janeiro e maio de 2017; e tentar decidir se essa fase de preço em alta pode superar a volatilidade do verão e prosseguir pelo segundo semestre do ano.  Os mercados, em breve, vão decidir qual caminho é o melhor.


Disclaimer Genérico Agosto 2017

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Sobre o autor

Bluford "Blu" Putnam atua como Diretor Geral e Economista-chefe do CME Group desde maio de 2011. Com mais de 35 anos de experiência na indústria de serviços financeiros e foco em bancos centrais, estudos de investimento e gestão de carteiras, Blu é porta-voz do CME Group sobre condições econômicas globais.

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