O Ressurgente Dr. Copper está prestes a ter uma Recaída?

  • 17 Jan 2018
  • By Erik Norland
  • Topics: Metals

Se alguém olhar para o cobre (Figura 1) e a volatilidade implícita em suas opções (Figura 2), pode imaginar que o metal – geralmente citado como Dr. Copper pela sua reputação como um dos principais prognosticadores da saúde econômica por causa de suas aplicações generalizadas -- voltou à saúde robusta após um feitiço ruim de 2011 a 2015. Recentemente, o preço disparou e a volatilidade implícita é baixa.  Fundamentalmente, o cobre parece bem.  A economia global está expandindo robustamente e o crescimento da China, o único importante mercado do cobre, parou de desacelerar há dois anos.  Uma espiada abaixo da superfície, no entanto, mostra que os operadores têm preocupações de que esta situação benigna pode não durar, e 2018 pode provar que essas preocupações são válidas.

Figura 1: Os Preços do Cobre estão Perto da Alta de Cinco Anos

Figura 2: Opções de Cobre No Dinheiro estão sendo Negociadas Mais Perto dos Recordes de Baixa do que dos Recordes de Alta.

Um olhar mais profundo no mercado de opções sobre cobre, entretanto, mostra um alto grau de assimetria de tendência baixista, à medida que os investidores saem das opções no dinheiro (ATM, na sigla em inglês).  As opções de venda fora do dinheiro (OTM, na sigla em inglês) sobre cobre comandam prêmios de volatilidade implícita muito maior do que opções de compra OTM similares (Figura 3).  Além disso, no 4T2017, a volatilidade implícita do cobre subiu em relação aos níveis do 3T, enquanto a volatilidade implícita sobre opções caíram drasticamente para a maioria dos contratos futuros (Figura 4).

Figura 3: Opções de Venda Fora do Mercado (OTM, na sigla em inglês) sobre Cobre são Muito Mais Caras que as Opções de Compra OTM.

Figura 4: Volatilidade Implícita do Cobre Contrariou a Queda no 4T2017.

Qual o risco de tendência baixista com o qual os operadores de cobre estão tão preocupados?  Nós achamos que pode ser resumido em duas palavras: China e ações.  A estabilização econômica da China em 2016 e 2017, depois de anos de desaceleração do crescimento, foi uma surpresa não esperada e benéfica para os produtores de cobre (Figura 5).  

Figura 5: Se a China Desacelerar, o que será do Cobre?

Ao invés de ruir como muitos temiam em 2015, a taxa de crescimento da China melhorou em 2016 e 2017, enquanto a administração Xi Jinping estimulava a economia antes de sua tentativa bem sucedida de garantir um segundo mandato.  Agora, com o mandato em mãos, o risco é que a economia da China comece a diminuir sob a pressão de uma montanha de dívidas (Figura 6), uma quebra no crescimento dos empréstimos e uma ampliação do foco para incluir preocupações ambientais como a possível despesa do crescimento.

Figura 6: A Montanha de Dívida da China Poderia Desacelerar o Crescimento e Aumentar a Sensitividade de Taxa de Juros

Se o crescimento da China diminuir em 2018, como sugere a curva de rendimento (Figuras 7 e 8), os preços do cobre têm o potencial de cair por um longo caminho, talvez até testando novamente ou rompendo suas mínimas de 2015 e 2016. 

Figura 7: Curva de Rendimento da China e Crescimento Econômico.

Figura 8: O Formato da Curva de Rendimento da China teve Forte Correlação com o Crescimento do PIB 4-6 Trimestres Depois.

Os mercados de ações representam outro risco. Por enquanto, os mercados de ações globais permanecem robustos. Alguns dos mercados, no entanto, se tornaram bastante caros e, à medida que a economia mundial se move para um estágio mais avançado de recuperação, a política monetária suave que apoiou os mercados provavelmente chegará ao fim. (Veja nossas publicações sobre VIX-Curva de Rendimento, Spread de Crédito-Curva de Rendimentoe, Desemprego-Curva de Rendimento).

Dito isto, os mercados de ações em fase final de alta podem ser bastante poderosos. As ações subiram em 1988 e 1989, no final da expansão dos anos 1980. Eles fizeram melhor ainda no final da década de 1990 e também fizeram bem nos últimos estágios da expansão de 2003-2007. Como tal, as ações poderiam continuar a aumentar os preços do cobre apesar de níveis de avaliação um pouco esticados.

A boa notícia para os investidores que possam estar preocupados com a forma como o cobre se comportará no caso de um mercado de baixa é que a correlação do dia-a-dia entre os preços do cobre e das ações foi relativamente baixa nos últimos anos; e também não foram muito altas durante os mercados baixistas de 2000 a 2002 e 2007 a 2009. (Figura 9).  Como tal, mesmo que as ações dos EUA sejam bastante vendidas, elas não podem, em grande medida, influenciar negativamente os preços do cobre.   Dito isto, se as ações continuarem a ter rally, elas também não podem ser particularmente favoráveis, especialmente se o cobre olha mais para a China do que aos EUA e à Europa como suporte de preços.

Figura 9: O Cobre Geralmente tem Correlação Positiva com as Ações dos EUA, mas Nem Sempre Forte.

Se o cobre for muito vendido, assista às moedas como o dólar australiano, o real brasileiro e o peso chileno que, no passado, se correlacionaram muito com o cobre, encontrarem-se sob pressão de queda.  As moedas mais fracas do mercado emergente também poderiam aumentar a pressão de queda sobre as reservas cambiais da China e poderiam, eventualmente, desencadear uma desvalorização do renminbi.  Isso não seria devido aos preços mais baixos do cobre, mas sim, por conta do crescimento econômico chinês mais baixo que poderia baixar os preços das commodities e colocar as moedas do mercado emergente sob pressão.

Ponto de partida

  • Os preços do cobre e as opções no dinheiro comportam-se como se a economia global continuasse a ter bom desempenho.
  • A inclinação das opções mostra o nervosismo sobre o potencial negativo do cobre.
  • Se a China desacelerar em resposta ao aperto monetário e aos altos níveis de endividamento, os preços do cobre podem sofrer pressão de queda.
  • As ações representam algum risco para o cobre, mas nem sempre tão correlacionadas quanto se poderia esperar.

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Sobre o autor

Erik Norland é Diretor Executivo e Economista Sênior do CME Group. Ele é responsável pela elaboração de análises econômicas sobre os mercados financeiros globais, identificando tendências emergentes, avaliando fatores econômicos e projetando seu impacto no CME Group e na estratégia de negócios da empresa e daqueles que negociam em seus diversos mercados. Ele também é um dos porta-vozes do CME Group sobre condições econômicas, financeiras e geopolíticas globais.

Veja mais relatórios de Erik Norland, Diretor Executivo e Economista Sênior do CME Group.

What Will Copper Do? 

Copper prices have recovered from a slump between 2011 and 2015 to head higher, but options are signaling underlying concerns over a possible pullback in record-setting U.S. equities and a possible slowdown in China's economy, the primary market for the red metal. Mitigate risk and hedge against uncertainty with COMEX Copper futures.

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