O Próximo Movimento do Petróleo? Pistas vindas do Óleo de Soja

Como observamos em nossa https://www.cmegroup.com/education/files/veg-oil-vs-crude-oil.pdfpesquisa anterior, os preços do óleo de soja, geralmente, conduzem os movimentos dos preços do petróleo. O ano passado não foi exceção. Mesmo com os preços do petróleo WTI disparando de US$ 42 para US$ 66 por barril entre 22 de junho de 2017 e 25 de janeiro de 2018, os operadores de óleo de soja não estavam comprando em massa. Os preços do óleo de soja atingiram o pico em 9 de novembro de 2017, a 35,38 centavos de dólar dos EUA por libra, até o início de uma venda em massa de 10% dois meses e meio antes do pico recente nos preços do petróleo (Figura 1). Este é o décimo primeiro episódio em que os preços do óleo de soja conduziram os preços do petróleo desde 2005.

Figura 1: Os Preços do Óleo de Soja Geralmente Conduzem os Preços do Petróleo.

Aqui está uma lista de vários episódios:

1)     De janeiro de 2005 a agosto de 2006, os preços do petróleo quase que dobraram de US$ 43 a US$ 77.  O óleo de soja demonstrou um pouco de entusiasmo para este rally, atingindo o pico de 27,54 centavos de dólar dos EUA no começo de julho de 2006 e afundou perto de 10% antes do pico do WTI no mês seguinte.  Os preços do WTI despencaram de US$ 77 a US$ 51 em janeiro de 2007, alcançando os preços do óleo de soja no movimento de baixa.

2)     Enquanto os preços do petróleo despencavam ao nível dos preços do óleo de soja, os preços do óleo de soja bateram na mínima em novembro de 2006 – dois meses antes do petróleo — até o início de um enorme rally que levou os preços de 23,58 centavos de dólar para 71,26 centavos de dólar em março de 2008.  Os preços do WTI esperaram dois meses para ingressarem neste mega rally, mas acabaram tendo um movimento similar de US$ 51 em janeiro de 2007 para US$ 147 em julho de 2008.

3)     Depois de atingirem o pico em março de 2008, os preços do óleo de soja lançaram uma flecha de alerta pelo arco do petróleo ainda em rally.  Os preços do óleo de soja caíram de 71 para 48 centavos de dólar dos EUA – queda superior a 30% – antes de uma recuperação para US$ 68 centavos de dólar dos EUA em 16 de junho de 2008.  Mesmo este segundo e menor pico nos preços do óleo de soja ocorreu perto de um mês antes do petróleo atingir o pico de US$ 147 em 11 de julho de 2008.  Na época em que o WTI bateu sua alta histórica, os preços do óleo de soja estavam 5% abaixo de seu pico de junho e cerca de 10% abaixo de uma alta histórica registrada em março de 2008.

4)     Durante a crise financeira, os preços do óleo de soja afundaram para 28 centavos de dólar dos EUA em 5 de dezembro de 2008, antes de encenar um rally até o final do ano.  Ao contrário, os preços do petróleo não bateram sua mínima por mais três semanas, em 24 de dezembro de 2008, quando fecharam a US$ 35,35. Em 2009 e 2010, quando os dois mercados se recuperaram, o óleo de soja novamente conduziu o petróleo na maioria dos zig zags do caminho.

5)     Os preços do óleo de soja atingiram o pico em 3 de fevereiro de 2011, um pouco abaixo dos 60 centavos de dólar, tendo mais que dobrado da baixa do final de 2008. Os preços do WTI, ao contrário, não atingiram o pico por quase três meses quando bateram os US$ 114 em 29 de abril de 2011.

6)     Neste ponto, o óleo de soja e o petróleo começaram sua grande divergência.  Após a Primavera Árabe no Oriente Médio, os riscos geopolíticos percebidos mantiveram o WTI e outros óleo de referência negociados em de cerca de 25% de suas altas de 2011 nos três anos e meio seguintes.  Os preços do óleo de soja, ao contrário, caíram 40% de suas altas de 2011 no início de 2014 e, após um breve salto, começaram a cair novamente no verão de 2014 até atingirem metade de seus níveis de abril de 2011.  Isso foi o presságio do colapso do final de 2014 nos preços do petróleo que acabaram levando o WTI a uma baixa a US$ 26.

7)     Mais uma vez, os preços do óleo de soja bateram a mínima primeiro, atingindo uma baixa de 25 centavos de dólar dos EUA em agosto de 2015 – uma queda de 60% de seu pico de abril de 2011.  Os preços do WTI bateram sua mínima em fevereiro de 2016 – seis meses cheios mais tarde – a US$ 26, abaixo dos US$ 75 de sua alta local em 2011. 

8)     Na época em que o petróleo bateu sua mínima em 11 de fevereiro de 2016, os preços do óleo de soja estavam mais de 20% abaixo de suas mínimas.  Eles atingiram um pico local de 41 centavos de dólar dos EUA em 19 de abril de 2016 – um ganho de mais de 60% de suas baixas.  Os preços do petróleo os seguiram na alta, mas atingiram o pico quase dois meses mais tarde, em 8 de junho de 2016, a pouco mais de US$ 50, quase 100% de suas baixas.

9)     Quando os preços do petróleo atingiram sua alta local de US$ 51 por barril em 8 de junho, os preços da soja já tinham caído 12% e, finalmente, bateram sua mínima em 22 de julho de 2016 a 29 centavos de dólar dos EUA.  Os preços do WTI bateram sua mínima duas semanas mais tarde, em 2 de agosto de 2016, a US$ 39.

10)  Os preços do óleo de soja atingiram o pico de 37 centavos de dólar dos EUA em 27 de dezembro de 2016 e, em 11 de abril de 2017, caíram para perto de 31 centavos de dólar dos EUA.  Enquanto isso, os preços do WTI se estabilizaram perto de US$ 54 entre 12 de dezembro de 2016 e 7 de março de 2017, antes de, finalmente, terem correção para US$ 43 em 22 de junho de 2017 – atrasados em relação ao óleo de soja em cerca de três meses.

11)  Os preços do óleo de soja atingiram o pico de 36 centavos de dólar dos EUA em 5 de setembro de 2017.  O WTI continuou o rally até 25 de janeiro, quando ficou em US$ 66.

Os preços do óleo de soja, até a data, não encenaram qualquer tipo de recuperação sustentada e isso pode sugerir preços menores para o WTI nas próximas semanas. Caso o óleo de soja, finalmente, bata sua mínima, entretanto, será interessante ver se o WTI, mais uma vez, seguirá sua alta pelo 12º episódio como mostrado na nossa breve história sobre a relação entre o óleo de soja e o petróleo – uma história que funciona bem quando se olha os futuros de óleo de palma da Bolsa da Malásia, quando convertidos do ringgit malaio para o dólar dos EUA.

Mais uma observação, os operadores de opções sobre WTI e soja percebem os riscos amplamente opostos. Enquanto eles concordam que não há uma grande quantidade de risco a termo – a volatilidade no dinheiro (ATM, na sigla em inglês) está mais perto das baixas históricas do que das altas recordes para ambos os produtos – (Figura 2, o 'sorriso' do gráfico da volatilidade da opção sugere que os operadores de óleo de soja têm medo do risco de alta (Figura 3), considerando que as preocupações dos operadores de WTI estão focadas na baixa (Figura 4).

Isso é provável porque os operadores agrícolas estão preocupados com os preços para o complexo soja (grãos, óleo e farelo) que podem estar perto do custo marginal de produção de muitos produtores e, portanto, não podem cair mais. O WTI, ao contrário, está sendo negociado bem acima do custo marginal de produção de cerca de US$ 40 por barril para muitos produtores, incluindo muitos dos principais produtores globais de óleo de xisto nos Estados Unidos.

Figura 2: A Volatilidade Implícita das Opções está Baixa para os Dois Mercados.

Figura 3: Os Operadores de Opções sobre Óleo de Soja têm Mais Medo do Movimento de Alta do que de Baixa.

Figura 4: Os Operadores de Opções sobre WTI têm Mais Medo do Movimento de Baixa do que de Alta.

Enquanto as visões dos operadores de opções são consistentes com a ideia de que os preços do óleo de soja continuam a conduzir os movimentos do WTI, nós observamos que os riscos para o óleo de soja podem estar mais equilibrados do que se imagina.  Apenas o fato dos preços de bens agrícolas estarem baixos e perto do custo de produção, não significa que eles não podem cair mais.  Da mesma forma, os operadores de WTI seriam imprudentes se ignorassem os riscos de alta dos preços de petróleo em consequência de riscos geopolíticos em diversos lugares como o Oriente Médio, Argélia, Angola, Nigéria e Venezuela.

Nós continuamos sem a certeza sobre a exata razão do porquê os preços do óleo de soja e de outros óleos vegetais terem a tendência de conduzir os preços do petróleo, mas suspeitamos que os resultados venham de dois fatores: 1) a existência de políticas para o biocombustível em mais de 60 países no mundo (incluindo os EUA, nações na UE, Brasil e China), e 2) o tamanho modesto do mercado de óleo vegetal em comparação com o vasto mercado do petróleo. O último é, mais ou menos, 20x maior e as pequenas flutuações com as políticas de biocombustível nas condições da oferta e demanda do petróleo podem ter um impacto excessivo nos preços do óleo vegetal – os impactos que podem estar conduzindo os preços do óleo vegetal antecipadamente aos preços do petróleo em muitas ocasiões.


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Erik Norland é Diretor Executivo e Economista Sênior do CME Group. Ele é responsável pela elaboração de análises econômicas sobre os mercados financeiros globais, identificando tendências emergentes, avaliando fatores econômicos e projetando seu impacto no CME Group e na estratégia de negócios da empresa e daqueles que negociam em seus diversos mercados. Ele também é um dos porta-vozes do CME Group sobre condições econômicas, financeiras e geopolíticas globais.

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